O circuito mundial de bodyboard regressou às Maldivas para uma das etapas mais aguardadas da temporada. O Maldives Pro 2026 decorre entre 12 e 21 de agosto, reunindo alguns dos melhores atletas internacionais numa das ondas mais rápidas e potentes do arquipélago: Cokes.
A competição marca também a estreia do IBC World Tour na ilha de Thulusdhoo, no atol de Malé Norte, levando o bodyboard de alta performance a um reef break conhecido pelos seus tubos intensos, secções rápidas e condições extremamente técnicas.
Cokes: um verdadeiro teste de performance
Também conhecida localmente como Randa Raalhugandu, Cokes é uma direita que quebra sobre um reef pouco profundo. Quando as condições se alinham, produz tubos longos, secções rápidas e rampas perfeitas para manobras aéreas.
É uma onda que exige velocidade, controlo e capacidade de reação. Uma pequena hesitação pode ser suficiente para perder a secção ou ficar demasiado profundo no tubo.
Estas características fazem de Cokes um palco especialmente interessante para observar a evolução do bodyboard moderno. Num evento deste nível, cada detalhe conta: desde a escolha das linhas e do posicionamento na onda até à velocidade gerada pela prancha e à precisão na execução das manobras.
Armide Soliveres assina o melhor resultado do primeiro dia
O espanhol Armide Soliveres protagonizou uma das grandes exibições da jornada inaugural, terminando o seu heat com um total combinado de 17,60 pontos.
A prestação incluiu um air reverse pontuado com 8,85 e um backflip que recebeu 8,75 pontos dos juízes. Além de garantir a passagem à fase seguinte, Soliveres registou o melhor resultado do primeiro dia de competição.
A combinação de velocidade, projeção e controlo demonstrada pelo atleta espanhol confirmou o enorme potencial de Cokes para o bodyboard de alta performance.
Surpresas na competição feminina
A primeira jornada trouxe também resultados inesperados na divisão feminina.
Alexandra Rinder, Namika Yamashita e Filipa Broeiro, três atletas apontadas como potenciais candidatas aos lugares cimeiros, foram remetidas para a ronda de repescagem. Por se tratar de uma ronda sem eliminação imediata, continuam em competição e mantêm a possibilidade de avançar no evento.
Entre as atletas que mais se destacaram esteve a brasileira Maylla Venturin, responsável pela melhor pontuação numa única onda da competição feminina, com 8,50 pontos.
Luna Hardman também começou o evento de forma consistente, conseguindo duas ondas avaliadas na casa dos sete pontos e transportando para as Maldivas a boa forma demonstrada nas etapas anteriores.
Uma etapa importante para o circuito mundial
O Maldives Pro 2026 integra três divisões do circuito IBC:
- Women’s Prime Series, com 3.000 pontos em disputa;
- Men’s Rising Series, com 2.500 pontos;
- Junior Men’s Rising Series, com 500 pontos.
Além dos pontos importantes para os rankings, o evento distribui uma premiação de 25.000 dólares na divisão feminina, 25.000 dólares na masculina e 2.500 dólares na competição júnior masculina.
O regresso às Maldivas, depois de uma ausência de dois anos, reforça a dimensão internacional do circuito e proporciona aos atletas um desafio bastante diferente das ondas de praia encontradas noutras etapas.
Que tipo de bodyboard funciona melhor em ondas rápidas e potentes?
Ondas como Cokes ajudam a perceber a importância das características técnicas de um bodyboard.
Em condições rápidas, potentes e com secções críticas, os atletas procuram normalmente pranchas capazes de gerar velocidade, manter a linha no tubo e responder rapidamente às mudanças de direção.
Entre as características mais relevantes encontram-se:
- Um Core com boa rigidez e capacidade de resposta, adequado à temperatura da água;
- Um ou mais stringers, que ajudam a reforçar a prancha e a controlar a flexão;
- Channels, que melhoram a aderência e o controlo na face da onda;
- Rails capazes de manter a prancha segura na linha, sem comprometer a velocidade;
- Um tail adequado ao estilo do rider e ao tipo de onda;
- Slick com boa projeção e baixo atrito.
Em águas quentes, um Core em PP é frequentemente escolhido pela sua rigidez, leveza e resposta. No entanto, não existe uma configuração universal: o peso, a altura, a experiência e o estilo de cada rider também influenciam a escolha da prancha.
Na SurfersLab encontras bodyboards de marcas especializadas como NMD, VS e Hubboards, com diferentes construções, tamanhos e configurações para vários níveis de experiência e tipos de ondas.
Do paraíso das Maldivas para a Praia Grande
Depois das Maldivas, as atenções do bodyboard internacional vão virar-se para Portugal.
Entre 1 e 6 de setembro, a Praia Grande recebe a 30.ª edição do Sintra Bodyboard Pro Festival, a etapa realizada de forma consecutiva há mais tempo no circuito mundial.
Em 2026, a competição feminina sobe à categoria Prime Series, passando a distribuir 3.000 pontos e 30.000 dólares em prémios — o mesmo valor atribuído à divisão masculina.
A etapa de Sintra poderá ter um papel decisivo na reta final da temporada, especialmente na luta pelo título feminino. Para os fãs portugueses, será também uma oportunidade de assistir gratuitamente a alguns dos melhores bodyboarders mundiais, numa das praias mais emblemáticas da modalidade.
Até lá, todos os olhos permanecem colocados em Cokes, onde o Maldives Pro promete mais tubos, grandes manobras e algumas surpresas antes da definição dos vencedores.
Atualização: este artigo acompanha o Maldives Pro 2026, que decorre até 21 de agosto. Os resultados finais serão acrescentados após a conclusão da competição.


















